Karl-Edwin Guerre (ou simplesmente
Guerre, como ele se apresenta) é fotógrafo de streetstyle dos mais tarimbados. Habitué das fashion weeks do mundo todo, publica seus cliques em seu belo site,
Guerreisms, mas também faz trabalhos para grandes veículos, como a GQ e a Marie Claire.
Dono de um olhar afiadíssimo, sabe encontrar os personagens e os detalhes mais estilosos pelas ruas de Milão, Paris, Nova York ou Tóquio. E possui um estilo pessoal à altura. Seus chapéus e looks cheios de cor já são clássicos do circuito fashion. Tanto que ele mesmo acaba virando personagem das galerias de outros veículos. O Hypercool, que é fã, bateu um papo com ele sobre seu trabalho e sobre estilo masculino. As respostas, deliciosas, fazem crescer ainda mais nossa admiração pelo entrevistado. Grande Guerre!
Hypercool: Que detalhes te chamam a atenção quando você está fotografando durante as semanas de moda?
Guerre: Não procuro algo em particular. Acabo fotografando o que me salta aos olhos. Para mim, é algo orgânico, são os detalhes do momento que funcionam. Acho que se eu saísse com uma ideia pré-concebida, perderia a magia do flagra, que é muito mais cool.
H: Como você definiria a elegância, no mundo do streetstyle, onde quase tudo é permitido?
G: Elegância é a habilidade de acertar sem fazer muito esforço. Elegância é simplicidade; é a maneira como a pessoa se porta, sua postura, seu gestual. Streetstyle ficou tão popular que, claro, existem pessoas que se esforçam demais em produzir estilo para serem fotografadas, mas o indivíduo realmente elegante não precisa disso, sua presença se fará notar, invariavelmente.
H: Em uma foto, você consegue ver facilmente a diferença entre um homem que passou horas se esforçando em produzir o look para entrar em alguma galeria de streetstyle e outro cuja elegância é natural?
G: Streetstyle pode ter momentos agridoces. Certamente, você terá os que possuem estilo de verdade e os que têm apenas moda. Eu acho engraçado que seja chamado de "street style" e não de "street fashion" porque, na maioria dos casos, não é uma questão de estilo, mas de moda, de tendências. É fácil perceber isso em uma fotografia.
H: Você possui um estilo pessoal igualmente afiado, já que se veste de maneira pouco comum para um fotógrafo e até mesmo para fashionistas. Você poderia ser um dos homens retratados em suas fotos. Onde você compra suas roupas e porque esse cuidado todo com seus looks?
G: Meu estilo é um reflexo de quem eu sou. A maneira com que me visto é apenas uma pequena parte dele. Tento cuidar de outras coisas que também compõem o estilo de uma pessoa, como o que como, o que leio e com quem eu ando.
Atualmente, estou numa fase de comprar tecidos e mandar fazer minhas roupas sob medida. Compro menos roupa do que parece.
H: Você acompanha as tendências e o que desfila nas passarelas?
G: Nunca prestei muita atenção e, sendo honesto, os modelos que desfilam nas passarelas me parecem tão pouco naturais, não me identifico com eles. Prefiro o que parece natural, orgânico, não coisas forçadas que parecem estar fora de contexto. Procuro conhecer as tendências, sim, é inevitável, mas não me inspiro nelas. Me considero um outsider na indústria da moda, sou feliz assim.
H: Quem são os homens mais elegantes do planeta? Italianos, parisienses, nova-iorquinos...? Por que?
G: Sou obrigado a dizer que são os italianos. Eles têm um algo a mais, uma classe cool que está sempre presente. Eles não são os inventores do termo Sprezzatura à toa.
H: Existe um lugar no mundo onde você ainda não tenha fotografado e que gostaria de explorar?
G: África do Sul e Nigéria são os dois lugares que espero explorar em um futuro próximo.
Navegue pela galeria para conhecer mais do estilo pessoal de Guerre e alguns de seus ótimos cliques.